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terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

Os sitiados

A banda que deu que falar nos anos noventa e que lá deixou a sua marca nos tops e nos ouvidos dos que passavam as orelhas pela rádio todos os dias. Nunca achei nada de especial a música deles, nem tão pouco a energia que demonstravam. Cá para mim era tudo à base de pó.
Mas chega de injustiça, pois o Sr. Aguardela , que morreu há uns dias atrás era um grande activista, defensor da música portuguesa, recolhendo imagens e testemunhos musicais por esse Portugal fora. Organizava espectáculos e eventos sem que o seu nome fosse badalado aos quatro ventos. Foi o que fiquei a saber através de testemunhos transmitidos pela antena3 depois das 22h.
A história que gostei mais de ouvir acerca dele foi o que fez quando a fnac não aceitou distribuir nas suas lojas o projecto Megafone. O que fez o Aguardela? deu um exemplar a cada amigo, que por sua vez, o deixou nas prateleiras da dita cadeia de lojas. Quando o cliente mais distraído chegava com o dito cd à caixa acabava por levá-lo de graça, pois, não estava na base de dados e não tinha preço ou código de barras. Muito espirituoso, sim senhor.
Não dependeu de padrinhos, nem de amigos importantes em lugares de destaque, nem tão pouco de favores prestados a troco de qualquer coisa.
Era tão bom que mais pessoas fossem assim no nosso país. Que vestissem a camisola e usassem os (poucos) instrumentos existentes para realizar os seus sonhos e, também, os dos outros. E não falo só de música, mas também de assuntos que nos incomodam, que nos prejudicam no nosso quotidiano. Gente que não tivesse medo de ser interveniente e lutar pelos seus direitos. Era mesmo bom ver finalmente a democracia a ser usada para tornar este país mais justo. Comissões de moradores, de pais, de avós, de oprimidos, de reumáticos and soyon and soyon.
Vá vão lá lutar pelos vossos direitos e pôr a democracia a funcionar.