sexta-feira, 19 de março de 2010

Vai mas é dormir

porque hoje é dia Mundial do Sono!

falta de entendimento

Decorre ou decorreu por estes dias a Conferência da CPLP:

"durante a conferência, a CPLP e a ONU/SIDA irão assinar um memorando de entendimento para facilitar o acesso ao Fundo Global das Nações Unidas de Luta contra a Sida, Tuberculose e Malária." , Africa21digital.com

Até aqui, encantada! Voltámos a falar da Sida e de tudo o que a envolve desde o sofrimento a discriminação até às pequenas alegrias e conquistas de todos os dias que estes doentes conseguem ultrapassar.
Lamento ficar a saber que em consultório os médicos enfrentem as situações mais caricatas que revelam "falta de entendimento da informação que está espalhada por todo o lado", como dizia uma moçambicana entrevistada para uma peça da TSF que tem estado a seguir esta conferência de forma brilhante. Falta descodificar, é isso. Senão, vejamos. Há jovens no nosso Portugal desenvolvido e cosmopolita, que pedem aos médicos de família a pílula do dia seguinte para se poderem tratar a pós uma relação sexual de risco de modo não contraírem SIDA. Há idosas que adoecem sem saber porquê nem com quê, que após muitos exames são finalmente sujeitas ao teste HIV e que, descobrem ser seropositivas, quando nunca tiveram comportamentos de risco, pois, apenas têm um parceiro sexual, desde há 30, 40, 25 anos... Pois, mas o parceiro anda por aí a espalhar alegria e dinheiro sem qualquer protecção. Ainda ontem lia no jornal que os homossexuais não podem dar sangue, e quando questionam esta situação obtêm respostas enigmáticas, vide Público de ontem 18-03-2010.
Aqui está o nosso reflexo no espelho, estamos desinformados, descriminamos e arriscamos mais que nunca.
Afinal os meios de comunicação servem para quê? Para ver só a FOX na televisão e sacar filmes da net?
Estou estarrecida, pois, em África não há dinheiro para comer e sem comer ninguém consegue aprender a ler nem comprar televisões ou ter netcabo. Então, há pessoas que vão de aldeia em aldeia cuidar de quem necessita, dar conforto, explicar que os rituais de purificação que envolvem práticas sexuais são formas de contágio e constituem um perigo! A informação é carregada por estes emissores, ou então, bem podem morrer à sua sorte.
Mas aqui, aqui é tão diferente! Aqui os cidadão viram as costas aos problemas de forma irresponsável.
Façam o favor de falar com os vossos filhos sobre o assunto. E, se sentirem que não estão à altura, peçam ajuda, informem-se e não tenham vergonha!

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

Duas caixas de anti-inflamatório e um antibiótico mais tarde...


Eis que volto sem nada para dizer.
Não há novas nem antigas. Simplesmente me fartei de ficar sentada no meu sofá amarelo a ver má televisão com maus programas e maus actores. É o vício!
Estou novamente constipada mas já nem quero ficar em casa de pantufas a curá-la.
Acabei de ler um livro de contos do Jorge de Sena, um grande atravessado, como eu!
Beijinhos nessas faces virtuais e comentem!
Ah, o modelo é o nosso gato Alberto!

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

A escola do meu filho

Todas as mães experimentam esta conversa vezes suficientes para se irritar e alegrar em número igual em cada conversa. A tal discussão acerca das escola, escolinhas, infantários, etc e tal.
Eu, quando tive de escolher não me dei a grande trabalho, escolhi a que estava mais perto, a que tinha mais espaço envolvente para brincar, a que estava dentro da vila, a que alberga meninos de todas as origens. E, depois descobri que a escola do meu filho é a escola. Porquê? Porque de cada vez que tenho a tal conversa com as minhas amigas ou colegas de trabalho, ou simples conhecidas, fico com uma série de certezas que no início das ditas conversas são só delas.
Assim, passo a enumerar. As fardas e os bibes e os chapéus, fora do contexto escolar, não interessam para nada a não ser para mostrar e para estratificar.
Isolar as crianças em vivendas, longe da povoação, retira-lhes a oportunidade de andar a pé pelas ruas da vila e experimentar o que a vida nas ruas tem para oferecer. Nomeadamente, ver as cores da rua, os artigos expostos à porta das lojas, aprender a atravessar no sitio certo e a caminhar em ruas com carros "ENCOOOSTA!", construir um mapa mental das ruas à volta de casa e da escola e aprender os caminhos.
O respeito pela diferença deve ser trabalhado dia a dia para formarmos adultos tolerantes a dispertos para essa diferença, assim, estar integrado em turmas multi comportamentais, inventei este termo agora, apesar de tudo, torna as nossas crianças mais resistentes e preparadas para o mundo lá fora.
Nem todos os meninos podem comer de tudo e há alguns que são alérgicos a coisas tão corriqueiras como um beijinho cheio de manteiga na boca de um coleguinha que resulta em borbulhas na cara. Na escola do meu filho há ementas para todos estes meninos que têm intolerâncias alimentares sem que eles se sintam assim tão diferentes, mas antes integrados, pois os pais não têm de se preocupar com marmitas e termos de comida preparada.
Durante as férias grandes de outrora, os nossos filhos têm de ficar na escola de todos os dias e esperar pelas nossas férias. Na maior parte dos casos que conheço aqui à volta, no verão as escolas param e não há grandes actividades. Na escola do meu filho houve sempre actividades durante o verão. Foram afixados os programas semanais que incluíam dia de cinema, dia de culinária, dia de trabalhos e por aí fora, ocupando os dias das crianças sem que se sintam fartas de por ali estar porque os colegas já foram de férias e eles não.
Quando a conversa chega a este patamar as minhas adversárias de debate dizem sempre qualquer coisa, como "ah, mas eu posso sempre entra a qualquer hora na escola e ir à sala do meu filho!". Pois, mas ali há gente a trabalhar e tem de haver alguma ordem, certo!? Eu também posso, mas é claro que tenho de cumprir normas e mostrar ao meu filho que não passo por cima de ninguém e não interrompo a não ser que seja mesmo necessário.
No fim, fico sempre com uma sensação de vitória, porque sinto com toda a certeza que a escola do meu filho é , para mim e para ele, a melhor! Lá há uma continuação do ambiente familiar, há espaço para a imaginação e para a criação, para o respeito pelos outros e para a tolerância!
Obrigada

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

mães e filhos

E Setembro chegou e partiu e ainda não arrefeceu!

"Mãe, este Outono está muito quente, sabes!"

E no último dia de Setembro, mas tinha de ser mesmo no último, uma neblina breve e morna paira sobre a vila, mas não há meio de arrefecer!

sábado, 12 de setembro de 2009

gripes, bombeiros gordinhos, sextas-feiras, gravidezes e cortes de cabelo

E foi uma sexta feira muito comprida, foi o que foi!
Despachei-me do Centro de Saúde em hora e meia, sim, eu vou repetir, em 1h30m fiquei consultada e carimbada e informada.
A médica: "ENGRAVIDAR?! ESTÁ FORA DE QUESTÃO! ESPERA PELA PRIMAVERA, OUVISTE!"
Eu: "Porquê? Para não ofender os passarinhos e as abelhas que só o podem fazer na primavera como se não houvesse amanhã?"
A médica: "Não queres pertencer aos grupos de risco, pois não? Acalma-te, que ainda tens muito tempo.!
E pronto dona manela ainda não vou fazer o amor para procriar como nas famílias ditas funcionais. Vai ser só mesmo por puro prazer.
E lá fui ao cabeleireiro tirar os restos do verão e do sol e do mar.
Linda linda pus-me a caminho do trabalho, pois era sexta feira e esta semana o sábado era da A.
De repente a meio da tarde, uma colega tem um ataque de asma, que a deixou mesmo muito mal ao ponto de termos de chamar uma ambulância. Chegam os bombeiros e começam as perguntas e as ilações do tipo está com boa saturação de oxigénio, acalme-se que isso não é nada e assim. Até que à pergunta esteve em contacto com alguém que tenha tido ou demonstrado sintomas de gripe A, ela de lábios roxos responde que sim. Está o caldo entornado. Eles entram em pânico e resolvem activar uma espécie de plano de contingência de bradar aos céus. Mandam vir uma ambulância"especial" para estes casos, que não era nenhuma nave, como eu secretamente esperava, mas uma ambulância velha muito bem lavada e cheia de pequenos pedaços de alumínio a vedar as janelas por dentro... não vão os vapores sair. Vestiram a moça de bata e máscara, assustaram-na a ela e a nós com frases do tipo não deixem entrar ninguém, todos vão ter de fazer análises, é melhor fechar por hoje, para, uma hora depois ( já que a doente não demonstrava sinais de febre, dhaaaaahhhhh) dizerem que o próprio companheiro poderia levá-la ao centro de saúde mais próximo para ser vista, pois devia ser só um ataque de asma.
DESCULPAAAAAAA!
E eu pergunto: brincamos? É assim que vai ser daqui pra frente? Eu, que ando sempre de lenço de papel a assoar o nariz por causa das alergias, vou finalmente poder dispersar multidões, é isso? Os bombeiros não têm formação para lidar com estas situações porquê?
Se quem tem cu tem medo, escolham outra desocupação tá?

quarta-feira, 2 de setembro de 2009